Flacidez depois do emagrecimento: por que acontece e como tratar?

Emagrecer e chegar ao peso desejado nem sempre significa encontrar no espelho o corpo que se imaginava.
Em alguns casos, após a redução de peso, tornam-se mais evidentes a flacidez, a perda de definição e alterações no contorno corporal.
Isso acontece porque emagrecer não envolve apenas perder gordura. Dependendo da forma como o processo é conduzido, também pode haver perda de massa muscular, enquanto alterações na qualidade e sustentação dos tecidos podem se tornar mais perceptíveis.
Por isso, tratar a flacidez depois do emagrecimento exige entender primeiro o que está sustentando — ou deixando de sustentar — aquele tecido.
Por que aparece flacidez depois de emagrecer?
Durante um processo de perda de peso, o volume de gordura sob a pele diminui. Dependendo da quantidade e velocidade dessa redução, idade, genética e características individuais, a pele pode não acompanhar completamente a mudança de volume.
Mas a análise não termina na pele.
A massa muscular também participa da forma, sustentação e contorno corporal. Quando o emagrecimento ocorre acompanhado de perda muscular relevante, pode haver uma redução adicional da estrutura sob os tecidos.
É por isso que duas pessoas que perderam a mesma quantidade de peso podem apresentar resultados estéticos completamente diferentes.
Perder peso não é o mesmo que melhorar a composição corporal
A balança mostra quanto o corpo pesa. Ela não mostra, isoladamente, do que esse peso é composto.
Durante o emagrecimento, é importante acompanhar a evolução da gordura corporal e da massa magra, além de outros parâmetros clínicos relevantes.
Uma pessoa pode atingir o peso que desejava e, ainda assim, apresentar pouca massa muscular, maior percepção de flacidez ou um contorno corporal diferente do esperado.
O objetivo, portanto, não deveria ser simplesmente fazer o peso cair.
Uma estratégia mais completa busca reduzir gordura preservando, sempre que possível, massa muscular e funcionalidade.
Por que a flacidez merece atenção especial depois dos 40?
Com o envelhecimento, ocorrem mudanças naturais na pele, na composição corporal e na massa muscular.
Nas mulheres, a transição da perimenopausa para a menopausa acrescenta um componente importante a essa avaliação, já que as mudanças hormonais desse período podem estar associadas a alterações na distribuição de gordura, massa e função muscular e características da pele.
Por isso, principalmente nessa fase, emagrecer de maneira muito rápida ou sem atenção à preservação muscular pode tornar algumas alterações corporais mais evidentes.
A estratégia precisa considerar não apenas quanto emagrecer, mas como esse corpo chegará ao final do processo.
Afinal, como tratar a flacidez depois do emagrecimento?
Durante entrevista ao programa Manhã Melhor, da Record News, o Dr. Henrique Mattos resumiu a primeira etapa dessa abordagem:

“Primeiro nós organizamos o organismo.”
Isso significa que o tratamento não começa automaticamente escolhendo um aparelho ou um produto injetável.
Primeiro é necessário avaliar o paciente de maneira individualizada e entender fatores como composição corporal, massa muscular, alimentação, sono, histórico de emagrecimento e características dos tecidos.
Quando existe uma base muscular insuficiente, por exemplo, simplesmente estimular colágeno pode não resolver todos os componentes envolvidos na queixa.
É preciso entender qual estrutura precisa ser reconstruída.
Músculo também faz parte do tratamento da flacidez
Quando pensamos em contorno corporal, o músculo não deve ser visto apenas como uma questão de performance ou estética fitness.
Ele participa da arquitetura corporal.
Por isso, em pacientes com baixa massa muscular ou perda muscular importante durante o emagrecimento, o treinamento resistido e uma estratégia nutricional adequada podem fazer parte da primeira etapa do tratamento.
A indicação é individual: diferentes regiões corporais e diferentes pacientes apresentam necessidades distintas.
Quando entram os bioestimuladores e as tecnologias?
Depois da avaliação e da organização da base, procedimentos podem ser associados quando houver indicação.
Entre as possibilidades estão bioestimuladores de colágeno, utilizados com o objetivo de estimular a produção de colágeno e melhorar determinadas características da pele, e tecnologias como o ultrassom microfocado, cuja indicação depende da região e das características do tecido tratado.
O ponto central é que a tecnologia não deve ser escolhida apenas pelo nome ou pela popularidade.
A pergunta mais importante é:
qual é o componente predominante da flacidez deste paciente?
Pele, perda de volume, distribuição de gordura, estrutura muscular e características do tecido podem contribuir em proporções diferentes.
É essa avaliação que orienta a estratégia.
Existe um único tratamento para flacidez pós-emagrecimento?
Não.
Uma pessoa pode precisar prioritariamente melhorar a composição corporal e desenvolver musculatura. Outra pode apresentar uma indicação maior para estímulo de colágeno. Em determinados casos, diferentes abordagens podem ser combinadas.
E existem situações em que a quantidade de excesso cutâneo é importante o suficiente para que procedimentos não cirúrgicos tenham limitações e uma avaliação cirúrgica seja considerada.
Por isso, prometer um mesmo protocolo para qualquer paciente com “flacidez” ignora justamente o que mais importa: o diagnóstico da estrutura corporal daquele indivíduo.
O melhor momento para tratar pode começar antes do fim do emagrecimento
Um dos principais conceitos é não esperar necessariamente o paciente terminar todo o processo de perda de peso para começar a pensar em massa muscular, alimentação, sono e qualidade corporal.
Esses elementos podem ser trabalhados durante o próprio emagrecimento, conforme avaliação e indicação individual.
Assim, o objetivo deixa de ser emagrecer primeiro para depois “consertar” as consequências.
Passa a ser conduzir o processo tentando preservar aquilo que será importante para o resultado final.
Emagrecer é reduzir peso. Reconstruir o corpo exige estratégia.
Quando o olhar fica restrito à balança, informações importantes podem passar despercebidas.
O tratamento da flacidez pós-emagrecimento começa entendendo a composição corporal e as estruturas envolvidas e, a partir daí, definindo quais intervenções realmente fazem sentido.
Foi justamente essa relação entre emagrecimento, preservação muscular, qualidade dos tecidos e flacidez que o Dr. Henrique Mattos abordou em sua participação no programa Manhã Melhor, da Record News.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada. A indicação de tratamentos e procedimentos depende das características e necessidades de cada paciente.
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